12 março 2018

«ESTEJAM À VONTADE!...»

O local da cena, uma cena a que assisti por várias vezes, é um avançado repleto de mesas naqueles restaurantes típicos de peixe grelhado que prosperam, especialmente no Verão, pelas regiões da beira-mar. O protagonista é um dos colaboradores do restaurante que, postado à entrada, junto à montra do peixe e mesmo com a sala vazia ou praticamente isso, insiste em interceptar os prospectivos clientes propondo-lhes assar salmonetes caríssimos ou então um peixão com quase três quilos, daqueles capazes de alimentar uma casa de família por todo um fim de semana, mas que é praticamente impossível de vender num restaurante, a não ser aos incautos. A maioria dos clientes apercebe-se do estratagema e rapidamente sacode o bronco, mas mesmo assim o colaborador insiste em fazer-se estupidamente útil, apontando para qualquer uma da dúzia de mesas que ainda estão disponíveis (a dificuldade estará na escolha), acrescentando como pináculo do despropósito:
«- Estejam à vontade!...»
À vontade?! Estava-se no pino do Verão, percebia-se que a esmagadora maioria dos clientes estava de férias, alguns vestiam calções, outros calçavam chinelos, que sentido fazia lançar esse apelo tranquilizador à descontração numa situação em que esta (descontração) imperava e em que aquele (apelo) não tinha qualquer cabimento? Se não o levássemos à conta da estupidez e da canhestrice do relações públicas, então só nos restava pensar numa elaborada ironia e imaginar a sala, enfumarada pelo cheiro da sardinha assada, povoada a rigor por criados de libré... De tão estúpido e dissociado da realidade, o apelo tornava-se intimidatório e mesmo até de sentido contrário: «não abusem!»
Mas é esse o espírito da expressão que eu quero recuperar para o que têm sido as pouquíssimas reacções nas redes sociais ao recente escândalo da promiscuidade entre o aparelho judicial e a equipa dirigente do Benfica. Não deixo de verificar quanto a minha opinião desinteressada a respeito do futebol português é minoritária e distinta de tantas pessoas que respeito e que exprimem opinião implicitamente diversa, mormente num apoio para lá de entusiástico ao Benfica. Pois bem, é a esses benfiquistas, que observo normalmente tão activos nas redes sociais a respeito do tema futebol e escrecências (mas que agora detecto estranhamente silenciosas a respeito do escândalo), porque sei que algumas me dão o privilégio de ir seguindo este blogue, aqui as convido a escreverem o que pensam do assunto. Não acredito que, só desta vez, tenham deixado de ter opinião. Como dizia aqueloutro:
«- Estejam à vontade!...»

Olhem, um bom pretexto para se pronunciarem, pode ser o conteúdo da intervenção de Luís Filipe Vieira este fim de semana, que o vídeo acima reproduz parcialmente. Mas também o que interessa é o que se segue, a intervenção e a linguagem corporal desconfortável dos dois comentadores em estúdio. Se Jorge Baptista (o segundo comentador) ainda expressou o óbvio, que Luís Filipe Vieira nada refutou de substantivo a respeito das acusações que já são conhecidas, a intervenção de Joaquim Rita é patética e pode servir para um exemplo escolar de demonstração do «falou, falou e não disse nada». Ora eu espero que os meus amigos benfiquistas sejam mais concretos do que o que ali se assistiu...

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