24 abril 2017

O (OUTRO) COMBATE DOS CHEFES

Não foi apenas Emmanuel Macron que ganhou as eleições por ter conseguido obter a votação mais elevada, foi também Marine Le Pen que a perdeu por o não ter conseguido. Como um Napoleão em Waterloo, só a vitória eleitoral nesta primeira fase interessaria a Marine para, com ela e com o frenesim mediático que se seguiria, obter aquele elan que lhe permitisse disputar com a convicção do seu eleitorado a fase decisiva da segunda volta das presidenciais. Assim, esta arrisca tornar-se uma daquelas cerimónias de que se conhece a coreografia de antemão. Pela eliminação dos candidatos dos partidos tradicionais e pela passagem à segunda volta de um candidato de extrema direita e de um outro (que depois tudo deseja que ganhe), as presidenciais francesas assemelham-se ao que aconteceu na Áustria o ano passado. A diferença estará na diferença da relevância dos dois países na União Europeia e também nas responsabilidades políticas muito superiores que assentam sobre o presidente francês. As portas do Eliseu parecem-lhe escancaradas mas, como se deduz do que ontem ouvi na France 2 a um político de velha cepa como Jean-François Copé (Republicanos), os problemas de Emmanuel Macron vão começar quando ele, vindo do exterior dos aparelhos dos partidos, tiver que arranjar uma maioria parlamentar para governar a França. Já li por aí algumas opiniões expressas de que, por esta vez, os institutos de sondagens não se enganaram e que as reacções elogiosas nunca terão a proporção das críticas de episódios precedentes, casos do referendo do Reino Unido ou das eleições presidenciais americanas. Perdoou-se o plebeísmo da comparação, mas a referência às sondagens assemelha-se ao que se possa dizer sobre a arbitragem de um jogo de futebol: não nos podemos desfazer em elogios a uma arbitragem que cumpriu as suas funções de não se dar por ela. Se calhar é injusto, mas é a triste sina da arbitragem e dos institutos de sondagem.

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