18 abril 2017

...E SE A UM 18 DE ABRIL FÔSSEMOS AO CINEMA?...

O exercício é curioso: que cartaz de cinemas disporíamos em Lisboa há precisamente 80, 70, 60, 50 e 40 anos? Se fosse há 30 anos (na imagem abaixo) e depois disso, a oferta cinematográfica com as salas múltiplas (Sala 1, Sala 2, Sala 3,...) distorcerá qualquer comparação que se possa fazer com as anteriores. Embora se trate de um apanhado pontual, sem pretensões a que se conclua nada dele, notem-se algumas curiosidades: a 18 de Abril de 1937 predominava a oferta de filmes de língua alemã: 42%. Seguiam-se os de língua francesa (25%) e só depois os norte americanos (17%). Dez anos depois, o cenário mudara radicalmente: em 75% dos filmes exibidos falava-se inglês, quer com o sotaque norte-americano (58%), quer com o britânico (17%). Os filmes franceses mantinham a sua quota aparente de 25%. A amostra colhida na década de 1950 dá um resultado surpreendente: não o primeiro lugar do cinema norte-americano (50%), mas o segundo lugar ex-aequo do cinema italiano e espanhol (17% cada). Na década seguinte há um recuo dos norte-americanos (38%), acompanhado de uma consolidação dos italianos (24%) e um reaparecimento dos franceses (14%), para finalmente em 1977, já depois do 25 de Abril, a amostra revelar um resultado muito semelhante, os imperialistas norte-americanos ainda em maioria (42%), a que se seguiam os italianos (25%) e franceses (13%). A ideia de proceder a este exercício, ainda que rudimentar, surgiu-me ao ouvir alguém recentemente a fazer uma descrição de um passado do cinema em Portugal que só deve ter existido na imaginação dele.

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