08 outubro 2015

OS MERCADOS! OS MERCADOS!

Este é o gráfico que exibe a evolução da yield praticada para os títulos da dívida portuguesa a dez anos de há cinco anos para cá. Estão duas datas assinaladas: a última Sexta-feira antes das eleições de 2011 (à esquerda) e a data equivalente antes das passadas eleições de 2015 (à direita). A linha vermelha é o valor da yield à data do pedido de assistência à troika. Como qualquer gráfico que não foi formatado para induzir conclusões, há várias que se podem extrair depois de 52 meses de governação do PSD/CDS/PP e são-no de sentidos diferentes. A começar pela mais importante e essa de sentido claramente favorável ao governo: a yield baixou 6,5% naquele período, de 9,8 para 2,3%. Outra conclusão, mas essa agora de sentido dúbio, é o impacto da crise da demissão de Vítor Gaspar seguida da irrevogabilidade da decisão de Paulo Portas de Julho de 2013 que, assinalada a azul e que vista desta perspectiva distanciada, se vem a revelar muito menos importante do que havia sido considerada à época. Finalmente, uma última conclusão que merece destaque do quadro acima é a indiferença dos mercados à aparente sintonia ideológica do governo: apesar de todas as proclamações, o comportamento da yield atingiu o seu valor máximo já o governo PSD/CDS/PP estava em funções há mais de seis meses (em Janeiro de 2012), demorou um ano (Junho de 2012) a que o seu valor regressasse ao valor que possuía quando da sua posse e cerca de ano e meio (finais de 2012) até que ele retornasse abaixo do valor de alarme que desencadeara o pedido de resgate (linha vermelha). Aliás, num outro gráfico que mostre a evolução comparada do comportamento da yield das dívidas portuguesa (laranja) e espanhola (azul) nestes mesmos cinco anos (abaixo), identificam-se bem as diferenças resultantes das vicissitudes específicas dos respectivos ciclos políticos: destaca-se o período inicial da intervenção da troika a Portugal.

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