25 março 2012

DOIS TÍTULOS POÉTICOS PARA A OPERAÇÃO «MARKET GARDEN»


Uma grande operação aerotransportada predispõe-se naturalmente a bons enredos, elaborados num crescendo, com os preparativos no solo, a viagem, o salto propriamente dito, os primeiros recontros com o inimigo, etc. Qualquer dos dois livros abaixo, que respeitam à mesma Operação, a Market-Garden, que se desenrolou na Holanda em Setembro de 1944, não desmerecem essas expectativas. Mais, ambos têm títulos com uma certa ressonância poética – Uma Ponte Longe Demais (esquerda) e Nunca Neva em Setembro. Mas há diferenças significativas a separá-los.

Cornelius Ryan concluiu o seu em 1974, pouco antes de falecer. À semelhança do livro que o celebrizara (O Dia Mais Longo), a sua narrativa vai-se apoiando nos depoimentos dos intervenientes, concentrando-se na participação de algumas unidades seleccionadas – neste caso é a 1ª Divisão Aerotransportada britânica, a que foi lançada no local mais isolado, sobre Arnhem, 100 km por detrás das linhas germânicas. Tudo acabou nove dias depois numa derrota, mas atenção! – um magnífico desastre, conforme o segredo britânico para transformar fiascos em galantes sucessos

O livro de Robert Kershaw tem mais 15 anos, data de 1989. Há uma diferença de perspectiva em relação ao anterior, observável logo pelo título, que é a correcção que um soldado alemão faz à sua conclusão distraída quando viu os pára-quedas no ar pela primeira vez. Quanto aos alemães que assistiram ao lançamento dos pára-quedistas, este livro destrói fundadamente a ideia convencionada que eles não têm capacidade de improvisação. Ali tiveram-na e foram bem sucedidos. Mas é só implicitamente que qualquer dos livros chega a discutir as limitações deste género de operações...

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