25 março 2011

EDUARDO CHIBÁS, O CUBANO PADROEIRO DOS COMENTADORES POLÍTICOS

Ainda um pouco na continuidade da referência que fiz num poste de há uns dias ao filme Network e à personagem Howard Beale, o jornalista comentador das análises políticas radicais que prometera suicidar-se em directo, creio que vale a pena falar de Eduardo Chibás, o político e comentador cubano que terá, com toda a probabilidade, servido de inspiração ao argumentista daquele filme, Paddy Chayefsky.
Eduardo Chibás nasceu em Santiago de Cuba em 1907 e pertencia a uma destacada família cubana: há um website da família incluindo a sua biografia, a do pai e do irmão. Veio a dedicar-se à política. Fundou em 1947 um partido, o Partido do Povo Cubano, mais conhecido como Partido Ortodoxo, o grande rival do Partido Autêntico. E tornou-se uma das revelações precoces como comunicador através de um programa de rádio.

Eddy Chibás dispunha de uma hora semanal, todos os Domingos às oito da noite – ou seja, uma hora mais cedo do que Marcelo Rebelo de Sousa tem hoje na TVI… E, como acontecia com Medina Carreira no recém-cancelado programa da SIC Notícias, mas de forma mais concreta, o prato forte do programa eram as denúncias de corrupção. Até que um dia (5 de Agosto de 1951), Chibás levou o espectáculo longe demais…

Por não ter podido fornecer as provas que substanciassem a acusação de corrupção que fizera contra Aureliano Sánchez, o então Ministro da Educação, Chibás atentou contra a própria vida em directo no programa – mas com tanto azar que era um jingle comercial que estava no ar no preciso momento em que disparou o tiro, que afinal não foi ouvido pelo auditório… Gravemente ferido, permaneceu 11 dias em coma antes de vir a falecer.

Alguns anos depois, com a vitória da Revolução cubana em 1959, Eduardo Chibás veio a ser beatificado pelo regime: Fidel Castro fora originalmente um militante ortodoxo. Contudo, Chibás será sempre alguém mais fácil de reverenciar do que de emular… Já se imaginou quantos comentadores/actores políticos teriam tido de se suicidar depois de terem proferido acusações em público que depois não conseguiram substanciar?…

1 comentário: