03 maio 2010

UM GRANDE EUROPEU

Este poste é para ser lido ao som de Die Europahymne do vídeo abaixo.
Estes tempos que a Europa está a atravessar são sérios, parecem não se poder resolver com grandiloquências, muito menos com cerimónias adicionais de assinaturas de mais Tratados... São tempos que têm contribuído para iluminar muitos insignes pensadores da coisa europeia. E são tempos oportunos para recuperar grandes nomes da História da Europa que têm andado esquecidos em baús nos sótãos da inconveniência histórica.
É o caso de George Clemenceau (1841-1929), cognominado O Tigre, o político radical francês que corporizou o espírito de desforra da França depois da derrota de 1871 e da perda da Alsácia-Lorena para a Alemanha até à sua recuperação em 1919, depois do fim da Primeira Guerra Mundial. O seu percurso político radical não terá sido brilhante mas foi a sua eloquência parlamentar que o fez merecer a alcunha que recebeu.
Tornou-se o homem chave dos interesses franceses ao representá-la nas negociações que tiveram lugar entre os Três Grandes (França, Reino Unido e Estados Unidos) que vieram a culminar com a assinatura do Tratado de Versalhes. Nessas ocasiões, tornou-se proverbial a sua irascibilidade, que o levava a começar aos berros com os seus homólogos britânico e americano antes de abandonar intempestivamente a sala.
Os puristas franceses nunca lhe perdoarão o facto de, por falar fluentemente inglês (até casara com uma americana), ter permitido que essas acesas discussões tivessem lugar nessa língua, começando por aí a substituição gradual do francês como língua diplomática. Mas permaneceu até ao fim o protagonista de um certo espírito de confronto francês: pediu para ser enterrado de pé e virado para Leste, encarando a Alemanha…

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