24 fevereiro 2007

DIREITAS ARCAICAS

Ainda a respeito das direitas arcaicas mencionadas no poste anterior, vale a pena dar relevo às acções de uma delas, actualmente no poder: a polaca. Mas não sem antes relembrar uma daquelas regras antigas e não escritas, existentes nas boas democracias, que estabelece que não se devem travar lutas políticas à volta do controlo de serviços de informações, dadas as tentações de os reorientar para assuntos domésticos, o que apenas os expõe e fragiliza.

É verdade que há excepções. Há o caso italiano, mas aí a excepção é o próprio país, que há coisas que apenas acontecem em Itália, há o caso francês, mas aí foi preciso incompetência demais para os agentes se terem deixado apanhar pelos neozelandeses e, não nos esqueçamos de um embrionário caso português, convenientemente abafado, que, salvo erro, envolveu Paulo Portas e as Informações Militares.

Na Polónia, o senhor, que poderá ser visto como uma espécie de Paulo Portas do Leste, chama-se Antoni Macierewicz (na imagem) e está encarregado, desde Julho do ano passado, de reorganizar os Serviços de Informações Militares polacos, dos quais entretanto se tornou dirigente máximo. Mas nada disto seria interessante, não se tivesse dado o caso do senhor ter entretanto feito um extenso relatório crítico.

O interesse cresce desmesuradamente quando se sabe que o objecto do relatório é a análise das actividades e do desempenho dos agentes dos Serviços de Informações Militares polacos no passado, muitos dos quais são nomeados e que o relatório em questão foi colocado ao dispor dos utentes no site da presidência da república polaca, como consta do teor das notícias esntretanto divulgadas.

Na sequência do gesto, entre outros, há já quatro embaixadores polacos no exterior que regressaram súbita e embaraçadamente à Polónia (Áustria, Koweit, China e Turquia) … Ora este parece um daqueles casos em que, indiscutivelmente, os superiores interesses do país se sobreporiam a outras considerações de eficiência ou reorganização – veja-se a triste imagem que a Polónia está a dar de si com este episódio…

Sobretudo, mesmo não sendo a disputa política uma actividade caracterizada pela nobreza, este gesto é um indicativo claro da falta de escrúpulos dos detentores actuais do poder na Polónia (Macierewicz e, acima dele, os gémeos Kaczynski – Lech presidente e Jaroslaw primeiro-ministro) Todos os dias se vê como a democracia é um processo muito mais complexo do que o depósito de um papel numa urna…

2 comentários:

  1. No antigo "bloco de Leste" há movimentos de direita ainda mais radicais e com apoio popular de monta. É o caso da Roménia, em cujas presidenciais o líder do partido de extrema - direita, saudosista de Codreanu, ficou em segundo lugar; um caso em tudo semelhante ao que sucedeu em França em 2002.

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  2. Obrigado pelas informações, João Pedro, que as desconhecia. Já me pus a “ler umas coisinhas” e para já, a história de Corneliu Vadim Tudor parece-me muito “engraçada”. Presumo, pelo que conta, que haja mais nos países da vizinhança.

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